Mostra fotográfica sobre Queijo Artesanal Serrano chega a São Francisco de Paula

Queijo Serrano. (Foto: Fernando Kluwe Dias)

Mostra fotográfica sobre Queijo Artesanal Serrano chega a São Francisco de Paula

A mostra, que valoriza o produto ligado à identidade Cultural dos Campos de Cima da Serra inaugura no dia 16 de novembro no Centro de Informações Turísticas

Uma trajetória que se inicia no tempo dos tropeiros e da chegada dos imigrantes açorianos e hoje alcança a condição de iguaria de sabor marcante, utilizada por grandes chefs, e que gera renda para cerca de 3 mil famílias, na região serrana do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Em síntese, essa é temática do projeto “Queijo Artesanal Serrano – Identidade Cultural nos Campos de Cima da Serra”, que engloba o lançamento de um livro e uma exposição fotográfica itinerante que estará apresentada em São Francisco de Paula entre 16 e 24/11/2018, no Centro de Informações Turísticas do município.  

O projeto “Queijo Artesanal Serrano – Identidade Cultural nos Campos de Cima da Serra” é uma realização do Ministério da Cultura e da Alma da Palavra, com financiamento da Lei Rouanet, patrocínio do Banrisul, BRDE, InBetta, Marelli e Souza Cruz, com parcerias locais nos municípios onde a mostra é apresentada.  A mostra é aberta ao público, a entrada é franca, sendo organizada no município pelo escritório municipal da Emater-Ascar/RS e prefeitura Municipal de São Francisco de Paula através das Secretarias de Cultura, Turismo e Desporto, Secretaria de Educação e Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Econômico.

 

A edição do livro e a montagem da exposição com cerca de 45 painéis nasceram de um sonho que vem sendo acalentado há cerca de 20 anos: resgatar a história e valorizar o queijo artesanal serrano, produzido há mais de 200 anos nos Campos de Cima da Serra. Em sua fabricação, os únicos ingredientes utilizados são o leite cru (sem pasteurização), o coalho e o sal, não havendo a adição de nenhum tipo de fermento lácteo industrial, corante ou outro aditivo. O saber-fazer do queijo vem sendo passado de geração em geração por produtores que exploram a pecuária de corte em pequenas e médias propriedades, com o uso da mão de obra familiar.

O projeto uniu a veterinária Saionara Araujo Wagner, professora da Faculdade de Veterinária da UFRGS, o zootecnista Jaime Eduardo Ries, da Emater-Ascar/RS, e seu colega, também veterinário, João Carlos Santos da Luz. Eles abraçaram a ideia e se uniram ao fotógrafo Fernando Kluwe Dias e ao jornalista Ricardo Bueno, da Alma da Palavra, com o intuito de divulgar essa trajetória recheada de história, cultura e tradição – e um sabor inigualável. Além dos painéis com fotografias do livro, a exposição inclui material multimídia, com registros dos bastidores da produção da obra, bem como vídeos e reportagens sobre o queijo artesanal serrano.

As origens do queijo artesanal serrano remontam à colonização açoriana e aos primeiros tempos da ocupação do território gaúcho. Sua receita teria sido trazida por esses imigrantes, por volta dos anos 1700, em plena época de disputas entre portugueses e espanhóis. Estava em curso o chamado ciclo do tropeirismo. Nas idas e vindas para o litoral catarinense, descendo e subindo serras íngremes e terrenos inóspitos, os tropeiros conduziam tropas de mulas equipadas com bruacas acanastradas recheadas de queijo serrano, charque e pinhão, que eram trocados por insumos e ferramentas inexistentes nos Campos de Cima da Serra.

Gado de corte e terroir – Atualmente, são cerca de 3 mil produtores de queijo artesanal serrano em 16 municípios do Rio Grande do Sul e outros 18 de Santa Catarina, os quais têm no produto importante participação na geração de renda familiar. Além do leite ser extraído de animais de raças de corte, não especializados, o clima, o solo, a altitude e a vegetação dos Campos de Cima da Serra constituem um ambiente natural peculiar, um terroir fundamental para as características do queijo serrano.

O queijo artesanal serrano, assim como outros produzidos a partir de leite cru, passa por um momento de valorização, mas, ao mesmo tempo, de desafio, pois ainda carece de uma regulamentação específica que permita sua comercialização e transporte fora da região produtora. Por enquanto, a melhor alternativa para descobrir seu sabor é subir a Serra e degustar o queijo, as paisagens e os roteiros turísticos, que são um atrativo irresistível para quem aprecia cenários exuberantes e o ambiente rústico do campo.

 

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